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Enterro da Gata'18 - Entrevista a Tiago Bettencourt

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Tiago Bettencourt

Tiago Bettencourt regressou ao palco do Enterro da Gata depois de em 2004 ter marcado presença na semana académica minhota, ainda com os Toranja. O músico esteve à conversa connosco e mostrou-se agradecido pelo convite e bastante surpreso com a enorme adesão do público.

 

Depois da tua presença no 40º aniversário da AAUM, e depois da vinda em 2004 com os Toranja, é a primeira vez que atuas a solo no Enterro da Gata. Como vês a tua “convocatória” para este evento académico?

Fiquei muito feliz. À medida que o tempo vai passando, deixas de ter a certeza se este público mais jovem te continua a acompanhar e fico sempre muito contente quando vejo interesse em me convidarem para festas académicas. Não tinha essa noção, mas fiquei muito feliz em ver este público a acompanhar na perfeição as minhas músicas. Às vezes, e infelizmente, distancias-te um pouco deste público e hoje foi muito bom ver que continuo a ser acarinhado.

Hoje, enquanto cantavas a “Carta”, sentiste “coisas boas” a vir do público minhoto. Sentes que esta geração tem uma ligação forte contigo, com o teu percurso como artista e com as tuas músicas?

Parece que sim [risos]. O mundo da música está tão preenchido com Dj’s e bandas que levam 1000 pessoas para o palco para puxar pelo público que tínhamos medo de não conseguir trazer um certo nível de “animação” a este público, que está aqui para se divertir. Pensamos nas nossas músicas mais mexidas e com mais rock para trazer hoje, e atuar mais cedo também ajudou: normalmente o público não reage tão bem como reagiu hoje se já estiver com uns copos [risos].

Num universo paralelo, e “se te deixassem ser”, terias sido outra coisa que não músico?

Sim, acho que a maneira como eu comecei a escrever música, que era de mim para mim, facilitou a minha afeição com a arte. Fazia músicas com os meus amigos, mas sempre achei que fosse algo que não uma viesse a ser uma profissão, até porque estava a tirar o curso de Arquitetura e toda a gente julgou que fosse enveredar por esse caminho. Ainda sinto um carinho por isso, como é óbvio, tenho até vontade de experimentar um curso de carpintaria, por exemplo [risos], mas a música acabou por atingir uma dimensão tão grande que teve de suplantar isso. Mas ainda reparo em certas coisas mal (e bem) feitas a nível de arquitetura, ou seja, ainda tenho esse bichinho.

Terias sido, então, o “Arquiteto Bettencourt”?

[risos] Por acaso não, até porque me disseram várias vezes que eu nunca teria paciência para estar fechado num atelier e que tinha uma mente mais libertina.

“Se o filme fosse teu”, gostavas de ter “Só mais uma volta” num próximo Enterro da Gata?

Claro que sim. Adorei tocar cá hoje, principalmente por ter sido o primeiro a tocar: como disse, o meu estilo adequa-se mais ao início da noite e será mais complicado para o meu estilo satisfazer as exigências do pessoal às 3 da manhã…

Queres deixar uma mensagem para os estudantes da Universidade do Minho?

Que voltem a estar comigo como estiveram hoje, com as letras (incrivelmente) super decoradas e a dar-me este carinho tremendo. E que continuem a divertir-se com música portuguesa.

Enterro da Gata'18 - Sexta-Feira, dia 18

Enterro da Gata'18 - Sexta-Feira, dia 18

Na última noite de Enterro, a Alameda do Estádio Municipal de Braga voltou a animar ao som de Tiago Bettencourt e Richie Campbell. O recinto encheu-se e os estudantes despediram-se de mais uma edição das Monumentais Festas do Enterro da Gata.

A Percussão Universitária do Minho (IPUM) abriu a última noite e fez a festa junto do público. De seguida, no palco principal, Tiago Bettencourt fez vibrar os estudantes com algumas das suas músicas mais conhecidas, como por exemplo, “Se me deixasses ser” e “Carta”. Por fim, o cabeça de cartaz, Richie Campbell, não desiludiu os estudantes minhotos com a sua energia, tal como em anteriores participações do cantor.

A festa continuou pela noite e o bom ambiente foi notável ao longo da mesma. Fora do palco a festa não parou e foi para todos os gostos. Divididos entre a tenda RUM e tenda eletrónica, os estudantes despediram-se da melhor forma. No geral, os minhotos elogiaram o fim positivo de mais uma edição do Enterro da Gata. Catarina Moreira, aluna do 2ºano de Ciências da Comunicação, referiu ainda que “não podia terminar de melhor forma”.

E assim terminou mais uma semana que não deixou ninguém indiferente no universo minhoto. Apesar da ‘gata querer casa’, a academia minhota encontrou no Gatódromo um teto habitual.

 

 

 

 

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Mundo Segundo e Sam the Kid

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Mundo Segundo e Sam the Kid

Juntos há vários anos, Mundo Segundo e Sam the Kid voltaram a atuar no Enterro da Gata:

 

Encontraram, no Enterro da Gata, um público que abraçou a vossa mensagem?

(Sam the Kid) Sem dúvida, foi um grande público. Não só aqui no Enterro da Gata, temos sempre uma grande imagem do público de Braga. No geral, são pessoas conhecedoras da nossa cultura, são pessoas que se interessam pelo que se passou e pelo que se passa

Relativamente ao último projeto que vocês entraram, em que participaram na realização de dois documentários sobre o Hip Hop, Qual é a importância destes projetos para a exposição do vosso trabalho e de outros artistas?

(Mundo Segundo) É muito importante, principalmente para as novas gerações, que não conhecem tão bem as origens do Hip Hop. São dois documentários muito ricos, tanto em história como em testemunhos.

(Sam the Kid) É importante estes projetos existirem, mas também é importante eles estarem acessíveis às pessoas. Divulguem, disponibilizem para todos verem. Irritam-me quando os artistas colocam restrições a certos conteúdos, não suporto.  Que façam umas plataformas para partilhar conteúdo, para os interessados poderem ver.

Perante o surgimento de estilos como o Trap, como é que o Hip Hop enfrenta estes novos tempos na música?

(Mundo Segundo) Acho que continua a haver artistas que se preocupam a escrever bons textos. No nosso tempo, dava-se muita importância a grandes textos e “skills”. Para muitas pessoas, as “skills” são quase coisas secundárias. Quanto ao Trap, há pessoas que se identificam mesmo com o estilo, mas há outras que fazem aquilo por moda. Nada contra, mas o importante é que deves fazer aquilo que te identificas. Acima de tudo, deves ser autêntico e fazer algo que te representa.

Acreditam que no Hip Hop português há cada vez mais espaço para colaborações entre artistas, como a vossa?

Sem dúvida. Acho que o Hip Hop é o campo musical que mais participações tem entre artistas, desde sempre. Desde que comecei a fazer isto, em 1993, devo ter feito alguma colaboração com alguém. Nós somos a melhor amostra que os artistas podem e devem colaborar e tens o nosso exemplo.

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Kappa Jotta (Exclusivo)

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Kappa Jotta (Exclusivo)

Em exclusivo para a AAUM, Kappa Jotta falou do concerto desta quinta-feira:

 

O concerto correspondeu às tuas expetativas?

Sinceramente, não estava à espera de ver tanta gente, principalmente por atuarmos numa hora assim tão cedo. Quando eu cheguei lá e vi que aquilo estava completamente cheio alivia logo a nossa pressão.

Já estás no mundo da música há mais de dez anos. Se olhares para trás, acreditas que o Kappa Jotta de 2005 é diferente do Kappa Jotta de hoje?

Acho que sim, é inevitável. Em termos de artista e pessoa, tudo. Hoje em dia sou pai, tenho contas para pagar e tenho uma vida diferente. A partir daí, muda tudo. E claro que a tua música também vai mudar.

Relativamente ao teu último álbum, “Ligação”, acreditas que tem correspondido com as expetativas?

Eu acho que sim, até está a superar as expetativas. Não esperava ter tantas visualizações, tantas pessoas a cantar as minhas músicas nos concertos e chegarmos aos palcos e ver tanta gente como hoje. Para mim, é gratificante.

Acreditas que, atualmente, os jovens devem continuar a arriscar numa carreira no mundo da música ou continua a ser um risco muito elevado?

Eu acho que, desde que entras no mundo das artes, não deves andar em busca de um emprego. Cada um deve fazer e seguir o que gosta e correr atrás dos seus sonhos. Se o sonho é a música, então corre atrás da música. Às vezes, mais vale ter pouco dinheiro e não teres gastos supérfluos e conseguires ser feliz e fazeres o que tu gostas.

Quais são os teus planos num futuro próximo?

Quando comecei a fazer rap, fazia-o para desabafar. A partir do momento que estou num palco principal como no Enterro da Gata, não sei o que posso pedir mais. A minha ambição é deixar-me estar assim, fazer a minha música e continuar a fazer o que faço.

Enterro da Gata - Quinta-Feira, dia 17

Enterro da Gata - Quinta-Feira, dia 17

No sexto e penúltimo dia das Monumentais Festas do Enterro da Gata, o hip-hop ‘tuga’ encheu a casa minhota.

Com uma primeira atuação de ritmos bem portugueses patrocinada pelo GFUM (Grupo Folclórico da Universidade do Minho) e GMP (Grupo de Música Popular), o recinto começou-se a compor para o que já se adivinhava, uma grande noite. Kappa Jotta deu o mote para que inúmeros estudantes começassem a aquecer ao som de vários êxitos, como Pela Cidade e Chama.

Seguiu-se a atuação de Mundo Segundo & Sam The Kid, que não falharam em deixar a multidão eufórica e a pedir mais e mais. Sem deixar de cantar as peças musicais mais antigas, o sentimento de nostalgia e alegria instalou-se no Gatódromo.

Os musicais passaram então para a Tenda de Eletrónica, com a presença de Soundprofile e Meninos de Coro ft. MC Mano, e para a Tenda RUM, com 3 Imaginary Dudes.

Mariana Duarte, responsável da barraquinha de Ciências da Comunicação, afirma que exercer este cargo é, muitas vezes, difícil e muito trabalhoso, porém dá um balanço positivo à organização por parte da Associação Académica da Universidade do Minho. “Nota-se que levam as coisas a sério”, acrescentou ainda.

A última noite do Enterro da Gata 2018 está ao cargo de Tiago Bettencourt e Richie Campbell.

 

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Emanuel

Enterro da Gata'18 - Entrevista a Emanuel

O badalado artista Emanuel voltou ao Enterro da Gata e esteve à conversa connosco:

 

O Emanuel estudou música clássica. Porque é que enveredou pela música popular?

Eu nasci no meio da música popular. Existe preconceito em relação a esse tipo de música, mas não devia existir. Música é música, independentemente se é popular ou não. E hoje vimos isso, mesmo quando muita gente critica a música popular, elas sabem sempre cantar as músicas. Eu estudei música clássica e estou preparado para fazer a música que eu quiser. Eu faço música para me agradar a mim e aos outros.

A música “Pimba Pimba”, de 1995, é, ainda hoje, tocada em festas populares e discotecas e convívios entre jovens. Qual é a sensação de carregar um legado como esse?

É fantástica. Nunca imaginei que iria cantar para milhões de pessoas que gostam daquilo que eu faço. “Pimba pimba” é uma peça de música popular de excelente qualidade, mas apenas quem conhece música popular é que sabe o que eu estou a dizer. Esta música surgiu numa altura em que a música popular era marginalizada, era música para bimbos e saloios. E eu disse abertamente que gosto de música popular e pus toda a gente a dançar. E ver a juventude a cantar as músicas é um sentimento extraordinário. É uma recompensa interior inexplicável.

Porque é que escolheu o nome artístico Emanuel?

Foi sempre um nome que eu gostei. Quando eu lancei o meu primeiro disco e mostrei aos meus pais, eles responderam que esse teria sido o meu nome. Porém, naquela altura, Emanuel era um nome religioso, era o nome de um messias e, por isso, não deixaram que eu me chamasse assim.

Quando é que despertou para a música?

Desde sempre. Eu nasci no meio da música, vivenciei a música na minha aldeia desde pequeno e fazer isto é o que me deixa mesmo feliz. Nunca sonhei que conseguisse ter o sucesso que tenho agora.

Já esteve anteriormente no Enterro da Gata, em 2012. Agora, em 2018, o que é que faz “bater forte o coração”?

A alegria! Se eu continuar com este sucesso, daqui a 4 ou 5 anos, volto ao Enterro da Gata e farei toda a gente saltar de alegria e, mesmo quando tiver 75 anos continuarei a cantar, nem que seja com bengala.

AAUM

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